
O próximo presidente do Brasil vai encontrar uma economia com sérios desafios esperando por ele desde o primeiro dia. Seja Flávio Bolsonaro, do PL, ou Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, o vencedor da eleição deste domingo toma posse em 5 de janeiro e terá que responder de imediato à cobrança do mercado financeiro por um ajuste nas contas públicas.
A dívida bruta do governo geral — que inclui governo federal, Previdência, estados e municípios — chegou a R$ 11,1 trilhões em agosto de 2026, equivalente a 82,9% do PIB, o maior nível desde a pandemia, segundo o Banco Central. Ao mesmo tempo, o brasileiro está insatisfeito com o custo de vida nas alturas e com o endividamento recorde das famílias. E tudo isso acontece em um cenário em que a economia deve crescer menos em 2027.
Para economistas ouvidos pela BBC News Brasil, nenhum dos dois candidatos apresentou planos claros para enfrentar esses problemas durante a campanha. A expectativa é que respostas mais concretas só venham depois da eleição, quando a equipe econômica for definida.
Bruno Imaizumi, economista da consultoria 4intelligence, diz que o governo bem-sucedido não será o que mostrar os melhores números em quatro anos, mas o que conseguir deixar a economia em condições melhores para crescer nos anos seguintes. Já Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos e ex-diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente do Senado, cobra que o eleito apresente um plano objetivo para a economia e as contas públicas já na primeira hora do governo, já que esse debate ficou ausente da campanha eleitoral. Salto ainda alerta que o Congresso eleito impõe limitações, especialmente se não houver um plano coeso e claro.
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